Com a pinça de seus calos retirou,
uma a uma,
as agulhas que plantaram
no Saara daquela retina
E a resignação de quem amou,
dia a dia,
não é mais o que arranha,
mas areia doce dos figos
da menina.

Com a pinça de seus calos retirou,
uma a uma,
as agulhas que plantaram
no Saara daquela retina
E a resignação de quem amou,
dia a dia,
não é mais o que arranha,
mas areia doce dos figos
da menina.

Cá o tom é blue: Kent ou Marlboro;
Carlton é de lá, red, ready to go to
somewhere over the filter.
Mas future may be a lie, or alive
ou a laica morada de vão livre
e de vista verde de Verdy e café…
que interrompeu de áurea música
o incorruptível; sob a fumaça daqueles
olhos eneblinados de tantas manhãs.
Cá, o tom é isso.
Lá, o tom é risco:
se não paisagem,
azul precipício

Paisagem
Havia beleza lá fora
onde mar e céu aninhavam a brisa
que arranhava o corpo a reverberar pela orla
Agora
Há virtude lá fora
onde janelas e carros refletem a vida
que desarranja o corpo a vagar por sua alma
Fundamental dessemelhança
Poder olha pra fora
e ter de olhar para a própria herança

A imagem grisalha da sala
diz a febre das demoradas teclas
no marfim de cada acorde:
Ele é apenas um peso que
não mais carrega a
saliência musical que escorre
uma ampulheta viva
À deriva, dorme sob outros
retratos e flores que em vasos
dissecam suas notas
Como os homens que gozam
o preto-esbranquiçar das horas,
em caixas de madeira,
pedra e fita coloridas.

não é fácil caramelizar um coração
eriçado pelos fantasmas de abril
não é fácil, bayb, nem violar o segredo
ou a perversão que mancha os dedos
de qualquer alma
- aprendi que os piores ruídos, baby,
acontecem em silêncio -
tudo acontece em silêncio
nesse seu coração manco, e tão caramelizado,
que se derrete, exposto e velado,
with all some Love
and saudade